Da Capo

Y el verso cae al alma

Eram quase três da manhã e, eu andando sozinho pela rua, percebi que meus sonhos foram todos destruídos. O asfalto silencioso da cidade caótica revelava os meus medos enquanto meu último cigarro queimava meus dedos e meu peito, me maltratava por ter sido, eu mesmo, tão ingrato comigo. Por um instante as vozes voltaram, os medos, as buzinas, os pneus e a fumaça, meus sonhos, antes aspirações de um iniciante, mais que nunca pareciam o que eles agora realmente o são… sonhos. Silêncio. O tempo corre e me corrói, sinto-me cansado, enfrento o último trago enquanto me ergo tortuoso pela via, como um equilibrista na corda bamba, para chegar na casa onde ninguém me espera. São meus os únicos passos a caminhar naquela calçada e pergunto-me: onde será que estão os outros? Devem estar em tantas outras ruas… É uma grande cidade… A selva se desfaz em cores e expectativas, aguardo o momento de alcançar o local do meu repouso e basta aguardar a hora de dormir para que possa novamente sonhar.

—Pedro Rodriguez